Devil in disguise

Agosto 28, 2009

zzzzzzz

Arquivado em: livros — tatiana @ 2:28 pm

Desde que comprei A Menina que Roubava Livros pela capa (muito bonita, por sinal), eu entrei numas de que tinha sexto sentido pra encontrar livro bom totalmente no escuro, sem ter lido nada sobre ele.

Pois bem, outro dia entrei numa livraria e dei de cara com um livrinho daquela coleção da Companhia das Letras, a Companhia de Bolso, se não me engano. Fininho, com um nomezinho simpático “O Caderno Vermelho”, do Paul Auster. Já tinha lido um tal de “Caderno Rosa de Lory Lamb” (da Hilda Hilst, GE-NI-AL), e pensei: “bom, eu também dou sorte com cadernos coloridos”. E um caderno colorido por apenas R$16? Eu nem hesitei.

É, me dei mal. Não que eu ache que tenha desperdiçado dezesseis pratas. Livro nunca é desperdício… Mas, porém, contudo, entretanto, se o autor parece ter preguiça de escrever o bendito, eu também posso me dar ao direito de ter preguiça ao lê-lo.

O objeto em questão é uma compilação de historinhas independentes que tem um único tema em comum: a coincidência. Ou melhor, o acaso. Pessoas que encontram coisas que procuravam há muito e, de repente, parecem ter caído no colo. “Oh, meu Deus! Até que enfim!”.

Acho que as coincidências da vida dariam ótimas histórias, excelentes livros, filmes, músicas e o que mais que se quisesse fazer. Mas sinceramente, nas mãos de Auster, ficou com cara de apologia ao Segredo. Algo do tipo “se você desejar com força, pode acontecer”. A Xuxa já tinha dito isso também, na música (música???) Lua de Cristal. E isso é de graça, dá pra baixar em mp3.

Tá, talvez eu esteja sendo muito crítica. As histórias, em si, são interessantes. Talvez mais ainda por serem verdadeiras. Mas é que ele narra com aquela vontade louca com que um pai sonolento conta pra sua filha, pela quinquagésima nona vez, como foi que a Branca de Neve encontrou os sete Anões. Juro, dá pra perceber os bocejos a cada parágrafo.

E você fecha o livro com a sensação de “pra que que eu to lendo isso, se ele não tem o menor interesse em me contar o que acontece com essa pessoa?”.

Cara, fecha o livro e vai ver Caminho das Índias. A Glória Perez é mais entusiasmada.

Agosto 27, 2009

frenesi de hornby

Arquivado em: livros — tatiana @ 2:56 pm

Eu sou fascinada por metalinguagem desde que descobri o significado da palavra. Felizmente, eu estudei em um ótimo colégio e pude descobrir cedo do que se tratava e como podia ser divertido falar de uma coisa usando a própria coisa. Confuso? Pode ser… Mas escritores, roteiristas, cineastas, pintores e artistas em geral fazem isso o tempo todo.
 
E desde que eu descobri como a metalinguagem está presente na vida, sou apaixonada por filmes que falam de filmes e livros que falam de livros. Ou ainda, fugindo um tiquinho da regra, filmes que falam do ato de escrever  (Janela Secreta, com Jonhnny Depp é louco, mas ótimo!) e livros que falam do ato de fazer (e ver) filmes (como Um Filme é para sempre, do Ruy Castro).
 
Mas o exemplo mais divertido é o que está andando na minha bolsa esses dias: meu escritor preferido, falando de seu hábito preferido, a leitura. Frenesi Polissilábico é a compilação das colunas que Nick Hornby escreve na Believer, revista inglesa sobre literatura. A publicação tem uma única regra: não esculachar os autores cujos livros você não tenha gostado. E aí entra uma questão: como fazer uma crítica limpa e, ao mesmo tempo sincera?
 
Poucas pessoas conseguem isso como Hornby. Suas referências são infinitas e, em Frenesi, isso fica ainda mais evidente do que em Alta Fidelidade que, pra mim, já é um festival de referências inteligentes. Alta dose de ironia e sarcasmo pra mostrar que, bem, não é necessário passar a vida com a cara enfiada nos livros para ser considerado esperto ou, pra usar um termo muito americano, cool.
 
Nick Hornby é cool. Mas por todos os motivos que os críticos consideram errados. A leitura flui fácil, como numa conversa. Sem a necessidade de rebuscar a linguagem para se exibir, ou aparentar erudição. Apesar de ler um volume absurdo de livros por mês (que eu, leitora voraz, considero praticamente impossível sem abdicar de necessidades básicas como respirar, comer e dormir), Hornby condiciona seus momentos de leitura aos shows que vê, as revistas que lê, aos momentos com os filhos e às partidas de futebol (ele é torcedor do Arsenal) e, assim, foge daquela coisa chata, típica de intelectuais que usam paletós de tweed.
 
(Tweed é coisa de intelectual inglês, ainda não consegui descobrir o que intelectuais brasileiros usam… Acho que bermuda e havaiana, mas vou passar na livraria da Travessa do Leblon para confirmar…)
 
Voltando à vaca fria, sou suspeitíssima para falar dele, porque sou fã número 0 (eu já falei disso aqui). Mas se é pra não esculhambar o que não gostei, entendo que devo exaltar (e fazer um altar de adoração no caso de alguns escritores) o que, de fato, gostei. Até porque, não estou sendo paga para ser imparcial. Para dizer a verdade, não estou sendo paga at all, o que me permite dizer o que eu to afim de dizer, oras!

Então, fica combinado que Nick Hornby é um dos melhores escritores dessa geração e Frenesi Polissilábico deve ser lido por todos que gostam destes calhamaços de papel em brochura que a gente chama de livro.

Agosto 19, 2009

o quanto custa organizar a vida?

Arquivado em: Uncategorized — tatiana @ 2:29 pm

Quando o orkut me pede para citar as cinco coisas que alguém encontraria no meu quarto, minha resposta é padrão: se alguém encontrar alguma coisa, considere-se no lucro.

Fato é que meus amigos não ligam mais para a minha bagunça e chegam a achar que meu quarto está arrumado se conseguem ver uma parte do chão, da cama ou da mesa.
O namorado fica satisfeito ao conseguir desembolar o travesseiro do edredon na hora de dormir. Vergonhoso para uma mocinha. Vergonhoso² para uma mocinha que pensa em morar sozinha.

Mas não. Não pensem que sou completamente desorganizada  Meu armário tem todos os cabides iguais, virados para o mesmo lado, blusas para um lado, casacos para o outro, vestidos, saias, shorts e calças idem. Tudo separado por cor. O mesmo com os sapatos.

Minha agenda tem todos os compromissos marcados, meus livros e dvd’s são separados por ordem alfabética e cada coisa tem seu lugar no meu quarto. O fato de elas não estarem em seus devidos lugares é apenas um detalhe. A coisa chega a tal ponto que se quero uma coisa, nunca procuro no lugar que ela deveria estar. Se quero um livro, procuro dentro de uma gaveta e jamais nas prateleiras.

A “bagunça organizada”, aquele charme da desorganização que, para alguns denota uma mente criativa, para mim não cola. Sei que meus (maus) hábitos atrapalham minha vida. Sei que é o cúmulo da falta de iniciativa sentar torta na cadeira, mas não tirar a toalha de baixo. E agradeço todos os dias por isso não se refletir no trabalho nem na faculdade.

Mas atrasa a vida. Literalmente. Tenta achar a carteira debaixo de livros, calças jeans, colares e papéis, faltando cinco minutos pra descer e pegar um ônibus. Isso, sem falar, no bad feng shui.

Mas organizar demanda tempo. Mais ainda. Demanda encontrar vontade de dar de cara com aquelas coisas que você preferia esquecer: as fotos do ex, a calça jeans que não cabe mais, o extrato do banco.

Demanda paciência de largar o livro, a tv e a internet. Demanda esforço físico. Mas, principalmente, o trauma da faxina. Depois de tudo arrumado, você olha em volta e pensa: que faço agora? Agora é a hora de sentar, organizar as contas, organizar o armário, dar o que não serve mais, selecionar os textos que você achava mega importante e ver que eles, felizmente ou infelizmente, não refletem mais você. Abrir mão de lembranças, porque organizar é editar, separar, eliminar. Principalmente, eliminar. E nem sempre isso é bom.

Problema exposto, a minha vergonha aumentou. É hora de arrumar o quarto, a vida, as ideias! Posto este texto assim que conseguir encontrar meu computador…

Julho 27, 2009

corrida.

Arquivado em: Uncategorized — tatiana @ 11:57 pm

“Today’s fortune: The greatest mistake you can make in life is to be continually fearing you will make one…”

Eu fui criada para me jogar na vida. Se isso me foi dado pelo meu pai ou pela minha mãe, eu não sei. Mas o fato é que fui treinada para não ter medo. Ou aliás, vencê-los. Ir atrás do que se quer porque nada vem de mão beijada.
“Se joga, minha filha”. E eu, obediente que sou, me jogava. Me tacava. Mergulhava de cabeça. Às vezes, vinha uma cama macia. Às vezes, grama. Às vezes, água. Às vezes, o vazio. Um abismo escuro. Outras vezes, o mar revolto lá embaixo. A última vez, não. Foi parede de concreto. “Se joga!”, eu fui e pá! Diretinho com a cara no muro. Desastre. Batida de trem quase sem sobreviventes. Eu que fui juntando os caquinhos, suturando aqui e ali, colocando gesso, tirando gesso, andando de cadeira de rodas, muletas e por fim, correndo.

E quando eu to lá, feliz da vida, correndo, cheia de endorfina e mp3 no ouvido, vem alguém do meu lado e sussurra “ta afim de se tacar de novo?”. Eu finjo que não escuto e continuo correndo. Às vezes paro, olho pro lado, como quem não quer nada, e vejo… A criatura ainda está ali, tentando me acompanhar. E eu disfarçando. Mudo a música no mp3, olho pra paisagem, tento me concentrar em outra coisa. Mas ele ainda está ali. “Então, vamos? Perdeu a coragem?”.

Como eu digo que perdi? Que esqueci tudo que me ensinaram porque da última vez foi um pouco demais? Logo eu que sempre disse pra todas as amigas que a vida não é nada sem risco…

Se antes tinha batido o medo, depois bateu a vergonha. Como assim, Tatiana, como assim? Logo você? Aquela vozinha na minha cabeça não se calava por nada. Ignorá-la era tão difícil quanto ler Proust no meio do carnaval de Salvador.

Resolvi diminuir o passo, olhar ele ali, do meu lado. “Vamos?”, ele pergunta enquanto me estende a mão. Eu olho, paro, penso, reflito e… dou a mão a ele.
Eu sempre fui corajosa mesmo.

Julho 19, 2009

Projeto 23

Arquivado em: Uncategorized — tatiana @ 11:21 pm

borboletaAssustador saber que estamos em julho e eu não consegui cumprir nenhuma das minhas resoluções de ano novo.

Dando então aquela apelada bonita porque eu acabei de fazer 23, vamos considerar que meu “ano novo” começou no dia 14 de junho. Considerando ainda que o ano só começa depois do carnaval (leia-se: comemorações de aniversário), pode-se dizer que começou DE VERDADE esta semana. Ah, foda-se!

Vamos aos projetos:

1) PROJETO “FICAR BONITA”

Poupem-me das piadinhas do “só nascendo de novo”. Vamos tentar melhorar o que podemos.

- Tomar 2L de água por dia

(MUITO IMPORTANTE: certificar-se de que tem banheiro perto)

- Começar a dieta prescrita pela nutricionista

- Começar a malhar (pela quinquagésima nona vez esse ano)

- Usar os cremes que eu compro

- Passar filtro solar TODO DIA (but trust me, on the sunscreen)

2) PROJETO FICAR INTELIGENTE

- Ler minha lista:

. Amanhecer (tá, não deixa ninguém inteligente, mas relaxa!)

. Frenesi polissilábico (nome ruim pra livro bom)

. O Livro de Dave (idem)

. Eu receberia as piores notícias dos teus lindos lábios (presente INCRÍVEL de niver!)

. Carta ao pai

- Escrever mais

- Ver um filme por semana e postar minhas considerações aqui: www.umfilmeporsemana.wordpress.com

- Ler a Época (porque eu já desisti de ler jornal)

- Ler minhas revistas preferidas (e dar um jeito de elas se encaixarem no bolso)

3) PROJETO FORMATURA:

- Comprar o vestido (longo, já que eu adiei tanto o projeto malhação que agora tenho que esconder as coxas)

- Imprimir fotos dos amiguinhos

- Fazer meu scrapbook

- Tentar não chorar na colação

4) PROJETO MONOGRAFIA

- Ler (até agosto) as Conferências de Freud

- Ler meus livros do Woody Allen

- Ver todos os filmes dele

5) PROJETO CASA NOVA

- Pintar

- Consertar portas e janelas

- Organizar meu “chá de casa nova”

- Fazer listas e mais listas do que eu preciso

- Controlar a ansiedade

- Organizar a casa velha e descobrir o que eu levo pra casa nova

Ufaaaaaaaaaaaa!!!!

Será que Tatiana Guedes conseguirá manter alguma de suas metas? Ou a menina desistirá no meio do caminho?

A seguir… Cenas dos próximos capítulos…

Maio 30, 2009

O que te faz sorrir?

Arquivado em: Uncategorized — tatiana @ 12:06 am

Entrei no twitter  hoje e tinha post da Monica com tarefinha pra mim: listar as sete coisas que me fazem sorrir!

Vamos a elas!

1) Saídas com os amigos

2) Aniversário chegando!

3) Tardes preguiçosas em livrarias/ lojas de roupa

4) Ouvir música na estrada

5) Recordações

6) Brigadeiro de panela

7) Mensagens no celular

Ainda tem: a plaquinha do msn subindo, o ponteiro da balança descendo, acordar de madrugada e ver que eu ainda tenho horas pra dormir, pôr do sol, nascer do sol, lua cheia, cachorros, bebês, cheiro de terra molhada, banho quente no inverno, piscina no verão…

Compartilhando com as amiguinhas:

Gi, KK Massote, Carol Guido e Tati!

Obrigada, Monica! =)

Maio 18, 2009

uma longa queda

Arquivado em: Uncategorized — tatiana @ 7:20 pm

Se alguém souber de alguma organização do tipo Compradores de Livro Anônimos, por favor, me avise!
Porque eu tenho MANIA de comprá-los. E intenção de lê-los, é bom que se diga. Só que nem sempre as intenções se concretizam… Aí, das duas uma, ou eles ficam ocupando espaço nas prateleiras esperando que algum dia eu os tire de lá, ou eu mesma fico insistindo. Leio um parágrafo, largo. Volto, leio uma página, largo. Leio um capítulo e… Largo!
 
Foi isso que aconteceu com Uma Longa Queda, do Nick Hornby. Apesar de ser um autor que eu adoro de paixão, esse livro simplesmente não conseguia  deter minha atenção depois da página 20. Comprei logo depois de ler Alta Fidelidade achando que conseguiria emendar um no outro. Nunca consegui e sempre me perguntei porque. A resposta veio do último livro do próprio Hornby: Frenesi Polifõnico.
 
Segundo Hornby, os livros só conseguem ser lidos e apreciados quando o momento de vida do leitor coincide com que o autor quer passar. E uma história sobre quatro suicidas demorou a coincidir com o meu momento.
Não que eu tenha pensado em me matar, muitíssimo pelo contrário. Mas eu estava precisando de ironia e humor ácido. Nada melhor do que Nick Hornby, que é praticamente deboche na veia.
 
Suicídio é um assunto pra lá de dramático. E quando alguém toma esta decisão na vida, espera estar sozinho. Mas o que você faria se tivesse que dividir este momento íntimo – e último – com mais três estranhos? É isso que acontece com Martin, Maureen, JJ e Jess.
 
Cada um tem seus próprios motivos para se matar. Martin arruinou a vida particular e a sua carreira após dormir com uma menina de 15 anos. Maureen tem um filho deficiente e não aguenta mais viver em função disso. JJ perdeu a banda, a namorada e o rumo na vida. Jess é uma adolescente e… Bem, só por isso o suicídio já é uma hipótese considerável.
 
Acontece que se matar na noite de reveillon no point de suicídios de Londres, o Topper’s House, não é assim tão fácil. Se unir a estranhos e tentar consertar a vida depois de momentos consecutivos de erros, muito menos. E é destas situações inusitadas que vem a graça do livro. Segundo o próprio autor, não é porque o livro trata de depressão que tem que ser depressivo.
 
Os quatro personagens se alternam nas narrativas em primeira pessoa, construindo um retrato fiel das situações. Cada cena é apresentada através de quatro olhares diferentes e bastante particulares. Martin, Maureen, JJ e Jess são pessoas muito bem construídas (Jess e Maureen conseguem ser particularmente irritantes em alguns momentos) e nos mostram como a vida pode fazer com que personalidades tão díspares podem ter o mesmo destino: o terraço de um prédio.
 
Apesar de ácido, Uma Longa Queda é, sobretudo, um livro sobre a esperança. Porque em noventa dias, sua vida pode mudar.

Abril 25, 2009

“‘Cause you know it ain’t over ’till the fat lady sings…”

Arquivado em: Uncategorized — tatiana @ 10:08 pm

Eis que a Internet ganha mais uma celebridade essa semana… Susan Boyle, a escocesa gordinha, participante do Britain’s got Talent.

 

Pois então… Ando acompanhando o alvoroço em volta da figura e confesso que até agora não consegui entender.

 

Não levem a mal… Eu ADORO a cara de espanto que o Simon – o jurado mais mala de todos – faz a cada vez que entra alguém realmente bom no palco. Adoro ver os outros chorando e o choque da platéia em alguns momentos… Acontece que eu já isso acontecer pelo menos três vezes no mesmo programa…

 

 Paul Potts era um vendedor de celular, que cantava ópera…

 

 http://www.youtube.com/watch?v=1k08yxu57NA&feature=related

 

E a Connie Talbot, uma pequena que canta Over the Rainbow…

 

 http://www.youtube.com/watch?v=QWNoiVrJDsE

 

Sou manteiga derretida, confesso… Choro cada vez que ouço os versos “and the dreams that you dare to dream, they do come true…”

Mas choro de ficar com a cara inchada… sei lá porque…

 

Então, eu já tinha uma pré-disposição a virar fã da Susan Boyle…

 

A escolha da música foi sensacional. “I dreamed a dream” de Os Miseráveis condiz exatamente com a situação de Boyle. Quer dizer, antes de ela virar a mais nova celeb do You Tube…

Mas o que prende a atenção é olhar as expressões de desdém da platéia e dos jurados. É realmente algo fora do comum ver na tv uma pessoa mais velha (não velha por assim dizer, mas fora do padrão “aceitável” para os níveis da televisão), com senso de humor (aquele reboladinha é SENSACIONAL!), com talento e… nenhum senso estético!

 

A visão de Susan assusta, suas piadinhas assustam, seu jeito de ser fora dos padrões… Mas o que assusta de verdade é ver como ainda tem gente no mundo que se surpreende com o fato de que pessoas feias possam ser talentosas. Ok, talvez o espanto resida nos extremos. Afinal, o dom de Susan Boyle é diretamente proporcional a sua falta de jeito para se vestir. Mas nunca ninguém decretou que talento e vaidade deveriam andar juntos. Senão, por favor, prendam (de novo) a Amy Winehouse!

 

Agora, Susan se viu em um novo reality show… Dessa vez, Extreme Makeover. As suas fotos já são destaque no Ego. A gordinha de jaqueta de couro em oposição à figura meio matrona que subiu no palco do Britain’s got talent.

 

Quando vejo essas fotos, só uma coisa me vem à cabeça: Shrek. Todo mundo que viu o desenho pensava que o beijo do Shrek livraria a princesa Fiona da maldição. Depois do beijo, ela ficaria para sempre na sua forma “princesa da Disney”. Mas, o que acontece, é que ela fica gorda, verde, esquisita e, mesmo assim, arruma seu príncipe.

 

Querem transformar a Susan em uma princesa da Disney, mas não seria melhor deixá-la como Fiona? Ou melhor, fazer com que ela seja o que realmente é, sem tentar fazer com que aquele corpitcho caiba numa forma pré-determinada pelas revistas de moda? Já tentou fazer a Alcione virar a Kate Moss? Querido, não força! Não vai dar!

 

Mas fica a reflexão. Será que aquele seu vizinho esquisito, seu colega de faculdade com cara de nerd tem algum talento escondido? Vale prestar mais atenção a quem está a nossa volta, não acha?

 

Fica aqui o vídeo para quem andou por Marte na última semana e ainda não conheceu Susan Boyle…

 

http://www.youtube.com/watch?v=j15caPf1FRk

 

Março 17, 2009

deixar rolar.

Arquivado em: cotidiano — tatiana @ 3:35 pm

Deixar rolar. Duas palavrinhas miseráveis. Gente ansiosa não pode ouvir essas palavras. Eu sei que eu não posso. Mas, assim como nights, barzinhos, ices e juízo, essas onze letras andam me perseguindo.

Então,  em um dos meus raros momentos de ócio, me pus a pensar no que significa esta frase que meus amigos insistem tanto em me dizer. Deixar rolar… DEI-XAR RO-LAR. D-E-I-X-A-R R-O-L-A-R.

Uma cantada famosa no meu carnaval mandava você chegar para o alvo do seu interesse e com a cara mais lavada do mundo dizer (de preferência, sem se enrolar nas palavras, porque pra mandar uma dessa o sujeito tem que estar trêbado): “Tinha uma pedra no topo de uma ladeira, alguém chuta… Rola ou não rola???”

Há anos atrás quando me falaram isso, eu me escangalhei de tanto rir. Mas ainda porque caíram nessa na minha frente. Hoje eu só fico pensando na coitada da pedra.

Então, ela está lá no topo da ladeira. Parada como as pedras devem ficar. Por um motivo qualquer, ela se solta do seu lugar e começa a descer.

Queridos, quem mora no Rio de Janeiro sabe que as ladeiras podem ser bem acidentadas. As ladeiras não sabem o que querem. Não sabem se querem namorar, não sabem se querem apenas uma ótima noite de diversão com a pedra que rola. E as pedras vão rolando, caindo nos buracos, tropeçando nas outras pedras.

Sabendo de tudo isso, como os meus amigos tem coragem de dizer: “deixa rolar”??? Afinal, a pedra pode se f… bonito quando chegar no final da ladeira.

 Eu, que sempre fui mega controladora, sempre decidi na quarta como seria minha noite de sexta, sou obrigada a deixar acontecer. Palavrinhas da porra essa! Tanto podem significar “relaxa que vai dar certo”, como “me esquece que eu não te quero mais”.

 O fato é que ser solteira é mera obra do acaso. Do deixar rolar podem surgir convites inesperados, noites engraçadas, momentos inesquecíveis, ou até lembranças que vão te atormentar os dias.

Deixar rolar, deixar ver, deixar acontecer, deixar a vida te levar, o acaso de proteger, Hakuna Matata, e todas as variações do mesmo tema são mais que frases. É quase um estilo de vida.

E nesse jogo de vontades não ditas, largadas meio ali nas entrelinhas, só é possível fazer uma coisa: ouvir os amiguinhos.

Março 5, 2009

“Deixa o tempo passar… deixa o barco correr…”

Arquivado em: Uncategorized — tatiana @ 6:33 pm

Ela andava triste, cabisbaixa. Depois passou. Entrou naquele estado letárgico. Que no fundo, no fundo, era pior que a tristeza. As mágoas se acumulavam tanto que o único modo de deixá-las para trás era fingir que elas não estavam ali. E fingir que não dói, quando a dor é muito funda, é o mesmo que fingir que não sente. Logo a letargia virou amargura. E a amargura se transformou em espetadelas, alfinetadas. Aquela forma covarde de demonstrar raiva.

Ela falava de tudo que a incomodava, mas nunca do que a incomodava realmente. Falava do sol, da chuva, do céu, da terra. Do que doeu há anos, do que doeria daqui a meses. Mas nunca do presente. Cutucar o presente é uma maneira de mudar o futuro. E ai que medo de mudar o futuro. Mal sabia ela que o futuro muda a cada passo que damos. Mal sabia ela que a amargura posta pra fora do peito às cuspidelas seria bem pior do que a conversa que ela tanto temia.

Ela tentava magoar, ele também. Os dois conseguiam. De forma irreversível, mas na época os dois apenas desconfiavam. Quando foram ver, já era tarde. Não dava mais. Parar, pensar, lembrar, analisar, mudar, guardar. Tantos verbos, mas poucos designavam ações. Na verdade, ação quase não havia naqueles tempos. De volta ao estado letárgico. Aliás, não. Como ficar parada no seu canto quando se está lutando pra não se afogar naquela maré de lágrimas? Não se pensa no trabalho, na academia, nos estudos, na tevê, na música, nas revistas, em nada. Só em não se afogar. Vai passar. ela pensava. Vai passar, ele dizia. Daqui a pouco tudo volta ao normal, deixa o tempo passar, deixa o barco correr, como diz Chico Buarque.

Até que um dia passou. Um dia ela acordou e viu que o céu não tinha deixado de ser azul só porque na cabeça dela só tinham nuvens pretas. O mar continuava batendo na praia mesmo que Iemanjá não tivesse realizado suas preces. E o trabalho fazia sentido. A tevê tinha coisas legais e tinha muita música legal no mundo. Músicas que não a lembravam dele. E as que lembravam eram apenas músicas. E não todos os artistas do mundo tentando esfregar na cara da menina o quanto ela tinha sido feliz e não era mais.

 E de repente, ela era feliz. Mesmo sabendo de tudo o que perdeu, ela soube que ia ganhar muito mais na vida. Porque tudo sempre volta ao normal.

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