Desde que comprei A Menina que Roubava Livros pela capa (muito bonita, por sinal), eu entrei numas de que tinha sexto sentido pra encontrar livro bom totalmente no escuro, sem ter lido nada sobre ele.
Pois bem, outro dia entrei numa livraria e dei de cara com um livrinho daquela coleção da Companhia das Letras, a Companhia de Bolso, se não me engano. Fininho, com um nomezinho simpático “O Caderno Vermelho”, do Paul Auster. Já tinha lido um tal de “Caderno Rosa de Lory Lamb” (da Hilda Hilst, GE-NI-AL), e pensei: “bom, eu também dou sorte com cadernos coloridos”. E um caderno colorido por apenas R$16? Eu nem hesitei.
É, me dei mal. Não que eu ache que tenha desperdiçado dezesseis pratas. Livro nunca é desperdício… Mas, porém, contudo, entretanto, se o autor parece ter preguiça de escrever o bendito, eu também posso me dar ao direito de ter preguiça ao lê-lo.
O objeto em questão é uma compilação de historinhas independentes que tem um único tema em comum: a coincidência. Ou melhor, o acaso. Pessoas que encontram coisas que procuravam há muito e, de repente, parecem ter caído no colo. “Oh, meu Deus! Até que enfim!”.
Acho que as coincidências da vida dariam ótimas histórias, excelentes livros, filmes, músicas e o que mais que se quisesse fazer. Mas sinceramente, nas mãos de Auster, ficou com cara de apologia ao Segredo. Algo do tipo “se você desejar com força, pode acontecer”. A Xuxa já tinha dito isso também, na música (música???) Lua de Cristal. E isso é de graça, dá pra baixar em mp3.
Tá, talvez eu esteja sendo muito crítica. As histórias, em si, são interessantes. Talvez mais ainda por serem verdadeiras. Mas é que ele narra com aquela vontade louca com que um pai sonolento conta pra sua filha, pela quinquagésima nona vez, como foi que a Branca de Neve encontrou os sete Anões. Juro, dá pra perceber os bocejos a cada parágrafo.
E você fecha o livro com a sensação de “pra que que eu to lendo isso, se ele não tem o menor interesse em me contar o que acontece com essa pessoa?”.
Cara, fecha o livro e vai ver Caminho das Índias. A Glória Perez é mais entusiasmada.
Assustador saber que estamos em julho e eu não consegui cumprir nenhuma das minhas resoluções de ano novo.